terça-feira, 31 de julho de 2012

morte do corpo


o corpo
e somente o corpo
não existe,
não existiu,
não existirá

este estopor do escopo
esculpi-se à espúria capitulação
o corpo não passa de uma ilusão!
e somente o corpo
navega no espaço sideral

o barro, o mato, a dor
viscosidades de suas extremidades ausentes
gritantes
serpentes compenetrantes
na intrépida trapalhada
dos tapumes,
tapetes silenciosos
do ritmo

válvula de escape
fecunda o ódio da incerteza
e em imbricada aresta
recolhe os touros alados do vento

Vernúria?!

Vlimpeta vasporização frâmica da foto

fulgura

o corpo é tudo
o que não existe.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

natal


adoro cada centímetro de meu corpo
por estar ali
e ser exatamente como é

amo meu peito
por ser essa tábua
de passar pelo mundo

esse descampado
vasta planície
ereta.

e os caminhos e atalhos
caminho de sol.
gengibre, manteiga

pequena casa de
toda a natureza

universo de trilhas
esconderijos,
oásis abertos

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

o poema

da próxima vez que me perguntarem
respondo o mais idiota possível!

não interessa o que eu andei pensando
nos últimos dias.

na maior parte dos últimos dias
eu não andei pensando em nada

e de tanto nada que pensava
o nada meio que me preenchia
e eu olhava as coisas daquela forma

e via, eu via!
o muro de pedra tijolo
aranha teia da pulga
a fuga força, o vôo

barata tonta biruta.

Rimas vazias
e rimas avulsas!

E de tanto nada, já não me importa
o que sacode o epitélio frouxo
mas o que sulco macio de consistência
escorre dos astros invisíveis.

se me perguntarem,
eu afirmo
e sigo vago em reticências
e sem medo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

nadando


Poesia é o que não serve pra nada!
não podia ser diferente
um amontoado de palavras dadas
nada demais.

Um final de tarde
um sinal de trânsito
é um nem pensar
na curva do que nem está sendo

é um trânsito de sinal
esta tarde de final
um se perceber

caminhando

numa rua de outono
rubricando assobios aos
pássaros passantes.

é um mar e um
corpo pra mergulhar.

poesia não é nada
é nadar, é nadar...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

diz com texto

Para quê trabalhos viscosos
sem o teu sorriso a meu lado?
para quê estes gritos medrosos
para quê?

saio à rua desinformado
sem partido na multidão
cada qual num itinerário de ilusão.

Para quê sol, para quê praia?
para quê pés em vãos?
E esta fome por justiça
se a janta nunca me falta,
para quê essa limitada paixão?

Ah não.

Eu estou compondo loucuras!
as pessoas riem de mim pelas ruas
pronde quero navegar..
se o real é tão vazio

e se mesmo a mais sincera doçura
é no fundo tão sómente a chama dum pavio?

Explosão!

O vento nasce do chão e sobe
lavando cabelos, vestidos e cores!
pirulitos ficam jogados
sem uso!

Ah, minha frouxa exclamação!

Quisera salvar-me a humanidade
no risco certeiro dessa pontuação


E onde esteve o teu erro?
não houve erro!
o engano mais dramático
a ausência num mundo volátil

talvez livros demais
talvez excesso de mãos.

Mas não é tempo de choro,
mas de se manter acordado;
há algo que espera algum tipo de volta
(ou revolta)
algo que se conserta
algo que se aperta - como tecla

Algo que não tem perdão.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sim

Sim,
nós estamos felizes.

Estamos agradecidos por vivermos aqui
... viemos de longe
e é saboroso o apontamento em nosso fígado
nos dizendo onde chegar.

ensinando a nunca parar
de esvaziar os sentidos,
criando-nus nossa raça,
mulheres-pedra-serpentina
a moralidade da pedra
em sujeitos móveis,
a tranquilidade d'água em fluir.

Sim,
é saboroso ver os enganos tão evidentes
a todos escancaram-se as portas do Sol
E alguns são estuprados por Sol
ainda assassinados pelo Sol
e outros abandonados

Mas o Sol não deixa de falar
na linguagem de aquecer e esfriar
onde está o seu caminho.

E é tão claro seu idioma
que só o enxergam os mais vazios
com os olhos da face arrancados
as crianças
pingam nas poças da chuva,
esparramam se fazendo aurora
boreal.

Sim,
o mal agora é tão somente ignorância
de um princípio, um meio e um final.